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Método: Fóruns, Inquéritos e Mesas

A construção de um programa político é uma tarefa complexa. Não passa, apenas, por identificar as medidas que poderiam tornar as nossas vidas um pouco melhores, um pouco mais fáceis, um pouco mais práticas, um pouco mais justas. Passa também por descobrir as medidas que poderiam ir além de aspetos imediatos para alavancar transformações com mais alcance, mais profundas, mais estruturais e mais ousadas. Pensamos que a ideia de programa deve corresponder ao sentido original: um programa é acima de tudo um conjunto de medidas que procuram agir enquanto instrumentos e ferramentas para mudar o presente, e não apenas uma mão cheia de remendos.

Como tal, decidimos construir o nosso programa através de três momentos de debate coletivo.

O primeiro serão os Fóruns. Para estes eventos convidaremos amigos e amigas que nos irão apresentar formas de entender a relação entre a cidade, o capitalismo e os tempos que correm. Estas conversas servirão para afinar as perspetivas críticas que temos sobre o meio onde nos inserimos, servirão a construir instrumentos a partir dos quais analisar a nossa realidade e a nossa capacidade de intervir para lá de como ela nos surge à primeira vista. Iremos tratar de temas como a relação entre a metrópole e as práticas de autonomia ou sobre a possibilidade de construir uma geografia da abolição da violência racial do capitalismo. 

Ao segundo momento chamámos as Mesas. Aqui o debate será mais horizontal, esbatendo a diferença entre oradores mais especializados e participantes. Iremos debater, em conjunto, os temas que circundam as nossas vidas: habitação, mobilidade, espaço público, etc.

Para dar nome ao terceiro momento resolvemos recuperar o conceito de Inquérito. Os inquéritos serão entrevistas, semi-públicas, com os segmentos populacionais que sustentam uma visão particular sobre o bairro e sobre a cidade. Encontrar as comunidades sem-abrigo, encontrar os trabalhadores municipais, encontrar as populações imigrantes, encontrar os estratos excedentários, deixados de lado pela economia de mercado, e partir dessas conversas para arriscar uma interpretação política dos medos, dos seus desejos, dos seus projetos, do que lhes dá prazer e do que os impede de viver como gostariam.

Estes eventos serão anunciados à medida que os formos organizando, e terão lugar entre junho e setembro.

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